Um exemplo de luta e superação: Conheça a trajetória da estenotipista e cantora Angélica Gama

Como todos sabemos, a vida nas cidades brasileiras não é fácil para quem tem algum tipo de deficiência. Desde que nasceu na capital paulista, Angélica Gama sente essas dificuldades na pele; mas nunca se deixou intimidar. Cantora, compositora, escrevente no Tribunal de Justiça e mãe de uma linda menina de doze anos, Angélica coleciona conquistas. E a mais recente  já está a caminho: formar-se como estenotipista. 

Angélica começou dando aulas particulares de inglês. Mas  a atividade não dava estabilidade, porque ela trabalhava em casa e dependia de solicitações de alunos. E se desdobrava para conseguir transmitir o conteúdo para eles: Angélica escrevia em um notebook adaptado a matéria, e eles copiavam. 

Craque no teclado

Isso conferiu a Angélica uma habilidade de digitação impressionante. Em 2005, ela começou a trabalhar no Tribunal de Justiça, e a rapidez com que transcrevia as sessões impressionava qualquer um. Os colegas passaram a recomendar que Angélica conhecesse a estenotipia. Ela descobriu que o tribunal fornecia um curso; mas, por conta das limitações visuais, Angélica demorou sete anos tentando ingressar nele. 

Quando estava prestes a desistir, ela finalmente conseguiu fazer o curso no TJSP. A semelhança do estenótipo com a máquina braille ajudou muito na adaptação com o novo instrumento. “As teclas são muito parecidas, a máquina braille tem até o mesmo formatinho. As semelhanças me ajudaram porque o braille também é um conjunto de códigos. O braille tem menos teclas do que o estenótipo, mas eu me lembrei muito” conta Angélica.

Estenotipista e plena

Os obstáculos, mais uma vez, foram muitos. Ela precisou  decorar os códigos e os comandos, o que foi tremendamente difícil. Mas Angélica não desistiu e, etapa por etapa, foi superando o desafio. Conseguiu se formar. 

Hoje, depois de doze anos trabalhando como escrevente, não tem dúvidas: “Vivi todos esses anos da minha vida muito triste dentro do tribunal, porque eu não conseguia me sentir bem com o que eu estava fazendo. Não me sentia plena. Mas a estenotipia trouxe isso pra mim.” 

Além disso, ela também tem uma carreira artística. Recentemente, Angélica realizou outro sonho: lançou o seu primeiro CD e começou a ser agenciada de forma profissional. E não para por aí: ela quer alavancar a carreira artística e também que começar trabalhar com closed caption, inspirada na vivência do Grupo Steno, a quem recentemente visitou em busca de treinamentos mais específicos para adquirir velocidade e chegar a fazer legenda em Tempo Real (CC).

Após superar esses desafios, Angélica tem uma mensagem clara para compartilhar: “sempre persistir e não se contentar com os primeiros resultados negativos. O segredo é acreditar no seu potencial e ir atrás de várias alternativas para fazer acontecer, sem se importar se as outras pessoas acreditam ou não”. E conclui: os questionamentos virão. As pessoas vão duvidar, vão achar que você não tem capacidade de fazer. Todo dia a gente enfrenta esse constante desafio, muitas vezes as pessoas que convivem com a gente duvidam que a gente consiga. Mas eu nunca duvidei de mim mesma.” 

Nós, do Grupo Steno, teremos muito orgulho se pudermos contribuir para realizar o sonho da Angélica.