Como é a vida de um influencer surdo?

Conheça a história de Léo Viturinno, professor de LIBRAS e youtuber

Nos últimos tempos, os criadores de conteúdo invadiram as telinhas de boa parte da população. São vídeos criativos que falam de forma leve sobre assuntos importantes, mostram rotinas e fazem tutoriais com dicas valiosas. Mas como as pessoas que são surdas conseguem aproveitar o que estes influencers oferecem? 

Felizmente, existem profissionais que chegaram para mudar a forma de produzir vídeos acessíveis e inclusivos para as plataformas de streaming. Este é o caso de Léo Viturinno, youtuber, professor e especialista em LIBRAS. Ele é surdo de nascença, devido à rubéola. Atualmente, somando todas as suas redes sociais, ele possui mais de 60 mil seguidores. 

“O meu público é bem diverso. A grande maioria é formada por pessoas surdas, mas também tenho seguidores cegos e uma boa parcela de ouvintes que me acompanham”, conta Léo Viturinno.


Léo em sua formatura da graduação em Letras pela UFRB. Fonte: arquivo pessoal

Lecionar não era bem a sua primeira escolha. Antes de pensar em cursar Letras, Léo cogitava ir para as ciências biológicas e cursar medicina. Mas o seu amor pela língua de LIBRAS, somado ao apoio de uma professora do Atendimento Educacional Especializado (AEE), fez com que ele se formasse em Letras com especialização em LIBRAS pela Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB). Atualmente, equilibra a vida de influencer com as suas aulas na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia para alunos ouvintes.

“No começo, tive alguns desafios para me comunicar com os alunos sem a presença de intérprete, mas com o tempo fui me adaptando e hoje tiro de letra. Lecionar é meu melhor remédio! Me sinto muito realizado e feliz dando aulas”, diz 

Aos 23 anos decidiu colocar em prática a vontade que tinha desde a adolescência. Criou um canal no YouTube e começou a produzir conteúdo para essa plataforma de streaming. “Quando eu era adolescente tinha muita vontade, mas não tinha coragem de mostrar quem eu era – uma pessoa surda. Tinha muito medo de sofrer preconceito. Eu não fiz curso nenhum sobre design ou marketing digital, aprendi com o tempo e com os feedbacks dos seguidores”, relata. 

Léo Viturinno, influencer surdo no YouTube NextUp 2018

Léo participando do Youtube NextUp em 2018. Fonte: arquivo Pessoal. 

Com o apoio de seus amigos, Leo coloca em prática todas as suas ideias e faz com que o seu conteúdo seja consumido por milhares de pessoas. É válido ressaltar que todo o processo de criação e finalização é feito por ele mesmo, que cria o roteiro dos vídeos, arruma o cenário, grava, edita e, no momento da finalização, produz a legenda. Em seus últimos vídeos, ele acrescentou mais um recurso de acessibilidade, a dublagem oral. Ele diz que essa iniciativa foi criada para fazer chegar o seu conteúdo para ainda mais pessoas: “Meu objetivo principal com a dublagem é inclusão. Quero que as pessoas cegas e com deficiência visual também possam consumir o meu conteúdo. A minha meta é alcançar todos os públicos e fornecer a acessibilidade necessária para que todos possam consumir meus vídeos”.

Léo acredita que muitas conquistas foram atingidas, mas que ainda é preciso vencer muitos obstáculos, como por exemplo, o entendimento de que ser surdo não é um problema, é a sociedade que cria a deficiência nos pequenos detalhes. Um dos seus maiores desafios, como pessoa surda, é a falta de comunicação em lugares públicos. Tarefas simples como ir ao banco, comer em um restaurante ou ir a uma consulta no hospital podem se tornar difíceis quando se é uma pessoa surda, ainda mais neste cenário de quarentena, devido ao coronavírus. “Sempre tive de lidar com vários problemas sozinho quando o assunto é me comunicar. Agora, está mais difícil, pois não consigo ler os lábios das pessoas, que ficam escondidos atrás das máscaras de proteção”, lamenta.

Quer conhecer mais gente inspiradora? Clique aqui e confira a história de Matheus Bueno.