Home office: como se adaptar a esta nova realidade?

Em tempos de quarentena, grande parte dos trabalhadores teve que começar a trabalhar em casa, no famoso home office. E aqueles que não têm como levar o trabalho para casa estão tendo que encontrar outras soluções para não ficar parado em meio à esta crise mundial devido ao Covid-19.

Em busca de inspiração para este período conturbado, conversamos com algumas pessoas que já foram personagens do nosso blog para saber como estão se adaptando a este novo momento. Vamos conferir?

Angélica Gama, estenotipista e cantora, possui deficiência visual e teve de deixar os Tribunais de Justiça por conta da pandemia que se alastrou no país. Ela teve que deixar o seu estenótipo parado durante esse período, não porque não seja possível trabalhar de casa, mas por falta de demanda. “Em outros tempos eu trabalhei em casa, mas agora as audiências e reuniões nem têm sido realizadas. 

Por outro lado, sua carreira artística deu uma desacelerada, pois não pôde continuar se apresentando e de dentro de casa sente que a divulgação tem sido menor. Ela tenta se manter próxima ao público, através de lives e posts, mas sente que não é a mesma coisa. “Tento me conectar com o meu público por lives e posts. Não é a mesma coisa, mas busco estar sempre próxima deles. Não vejo a hora dessa situação passar e voltar tudo ao normal”, diz.  

Para a escritora Lak Lobato, o fato de ter de se manter em quarentena em casa junto de sua mãe, que é do grupo de risco, a fez deixar um pouco de lado sua vida profissional: “Dar palestras e vender meus livros é a minha principal fonte de renda e eu tive mais de 6 eventos cancelados. Alguns ainda estão em suspenso, mas todos os planejamentos estão em segundo plano. E eu também suspendi temporariamente a minha loja, porque até ir no correio é um risco que estou evitando. Assim como todos, tenho sentido algumas dificuldades, mas é tudo uma questão de prioridade. Priorizei a minha saúde e dos meus familiares. Tem coisas que não há dinheiro que compre”.

Matheus e seus amigos de classe em videochamada preparando as futuras aulas – Foto de arquivo

“Agora minhas aulas são online, me conecto com meus alunos e dou minha aula remotamente. Eu e todos os meus amigos professores tivemos que nos adaptar a isso”. A área educacional também precisou se adequar à nova realidade. Matheus Bueno, é professor e possui deficiência auditiva. Suas aulas, que eram presenciais, passaram a ser realizadas à distância, através de transmissões online. “Consegui me adaptar bem ao novo jeito de trabalhar”, afirma.

Para atender a comunidade surda, Karina Zonzini, intérprete de Libras do Grupo Steno, também precisou se adaptar com o home office. Sua sala de estar virou um estúdio improvisado para conseguir dar conta das demandas. “A minha adaptação foi até que bem rápida. Embora não pareça sou uma pessoa bastante tímida, por isso me adaptei a gravar sozinha. Mas tivemos que transformar minha sala em um estúdio para fazer as gravações”, diz.

Karina em sua sala de estar com o seu “estúdio improvisado” – Foto de arquivo

Todos têm feito a sua parte, mas claro, também enfrentam desafios. Ficar dentro de casa 24hs por dia realmente não é fácil. Não poder sair pra tomar um café e espairecer, não poder marcar uma reunião ou um encontro presencial pra quebrar um pouco a rotina exige um esforço para não cair no tédio. “Gostar de trabalhar em casa é um pouco diferente de não poder sair de casa por nada”, comenta Lak.

Para Karina, um dos pontos mais difíceis é a convivência com todo mundo em casa. Conseguir manter a produtividade no trabalho dividindo o espaço com toda família exige disciplina. “Minha maior dificuldade é a galera toda em casa mesmo. São barulhos externos, meu filho querendo sair, cachorro latindo. Às vezes acaba atrapalhando”, aponta.

Rafael Parlatore, diretor de acessibilidade audiovisual do Grupo Steno, é um adepto contumaz do trabalho em casa e tem boas dicas para um home office mais produtivo:

– Precisamos ser extremamente criativos para manter o mesmo nível de empenho e qualidade do trabalho em casa.

– O principal é ter uma rotina estabelecida, se vestir como se fosse ao escritório.

– Encontrar um local na casa com o menor nível de ruídos e interrupções

– Manter o relacionamento com os colegas de trabalho mesmo remotamente, pois a troca de informações ajuda a manter a energia. 

– Entender que é um período passageiro, mas que pode ser uma oportunidade para repensarmos possibilidades que julgávamos impossíveis, como o home office.

E você, como está lidando com a quarentena? Conte sua experiência pra gente e fique em casa! 😉