Em busca de uma sociedade mais justa e inclusiva

Conheça a história do professor de Libras Matheus Bueno

Ensinar a comunicação pela Língua Brasileira de Sinais (Libras). Esta é a profissão de Matheus Bueno, professor da PUC-SP, que nasceu com surdez profunda devido a uma doença que sua mãe adquiriu na gravidez – a rubéola.

Matheus em sua formatura do ensino médio.

Hoje com 42 anos, Matheus viveu toda a sua infância rodeado de crianças também deficientes auditivas. Estudou no Instituto Santa Teresinha, a primeira escola especializada em pessoas surdas, na qual todos se comunicavam através de Libras. Porém, conforme foi crescendo, começou a frequentar outros lugares e percebeu que há uma barreira na comunicação entre ele e pessoas ouvintes. “São poucas as pessoas que têm conhecimento em Libras e realmente se importam em aprender. Isso acaba dificultando muito o processo de socialização e entrosamento”, diz.

Matheus e seus amigos na escola de surdos no Instituto Santa Teresinha. Ele é o quinto sentado da esquerda para a direita.

Disposto a mudar essa realidade e inspirado na profissão de grande parte de sua família, Matheus tornou-se professor. Atualmente, dá aulas no curso de Libras da PUC-SP com o propósito de expandir e facilitar a comunicação de pessoas com deficiência e os ouvintes. Formado em Pedagogia, fez duas pós-graduações. A primeira em Libras e Educação para Surdos e a outra em Educação Inclusiva, Especial e Políticas de Inclusão. “Desejo que meus alunos tornem-se bons profissionais para que, no futuro, sejam capazes de intermediar ou até mesmo se comunicar com os surdos”, conta.

Suas aulas com os alunos com deficiência são prazerosas, pois segundo ele, eles enxergam um exemplo de adulto que mesmo fazendo parte da comunidade surda, trabalha, dirige e tem uma vida “normal”. Já quando o assunto é lecionar para alunos ouvintes, nota-se um desafio em prender a atenção e entender como é viver em um mundo diferente, com barulhos e distrações a todo momento. “Eu gosto disso. Mesmo sendo pessoas diversas com culturas diferentes, sempre encontro uma forma de conversar, e o aprendizado é sempre muito grande”, relata.

Matheus com seu diploma de Pós-Graduação em Libras e Educação para Surdos.

Além de dar aulas, Matheus tem como hobby corridas de kart. Logo após o seu trabalho, ele se reúne com os amigos para treinar e ter o seu momento de relaxamento e lazer.

Na sua visão, há um avanço quando se fala em acessibilidade. Muita coisa já foi feita, como a inserção de Libras em filmes, teatros e também a disponibilidade de intérpretes de Libras em eventos. Mas ainda há muito o que se fazer. “Existe muita coisa para ser aprimorada, principalmente nos espaços públicos, mas luto a cada dia para que essas barreiras sejam desconstruídas, pouco a pouco”, conclui.

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