Como surgiu a Língua Brasileira de Sinais

Nos nossos posts aqui blog sempre falamos de inclusão, contamos histórias inspiradoras e falamos de projetos que promovem a acessibilidade. Mas ainda não tínhamos contado a história da criação da LIBRAS, a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS), que é a segunda língua oficial do Brasil. Para celebrar o Dia Internacional das Línguas de Sinais, comemorado no dia 23 de setembro, o Grupo Steno compartilha aqui essa jornada. 

Relatos apontam que a vontade de criar a própria Língua de Sinais brasileira, teve início no segundo Império. Dom Pedro II tinha um familiar surdo e queria que este tivesse oportunidade de estudar. O imperador, então, convidou o francês Ernest Huet, grande estudioso, formado no Instituto Nacional de Surdos de Paris, para vir ao Brasil. 

Em 1855, Huet identificou em seus estudos que havia mais surdos no Brasil do que ele imaginava, apresentou, então, um projeto para a criação de uma escola para surdos, com o investimento de Dom Pedro II. Em 26 de setembro de 1857, no Rio de Janeiro, foi criado o IISM – Imperial Instituto dos Surdos-Mudos, que na época admitia apenas estudantes do sexo masculino. 

O Instituto foi renomeado algumas vezes, até se tornar o que conhecemos hoje como Instituto Nacional de Educação de Surdos. Por anos foi a única instituição oficial especializada em educação para surdos no Brasil e na América Latina, consequentemente, recebeu alunos de todo Brasil e exterior, tornando-se referência.

A LIBRAS, a Língua Brasileira de Sinais, foi criada com uma mistura da tradicional língua de sinais francesas e os gestos que os deficientes auditivos brasileiros da época estavam acostumados a usar. Ela foi compartilhada através dos alunos do Instituto, que voltavam para seus estados quando o curso era concluído. 

Em 1880, ocorreu o Congresso de Milão, que proibia na Europa o uso de sinais e determinava que a educação de surdos deveria acontecer apenas por meio da oralização. Alguns anos depois, o Instituto Nacional de Educação de Surdos decidiu adotar essa norma e determinou que o oralismo puro deveria ser a única forma de educação dos surdos no Brasil. 

Nas décadas de 1980 e 1990, grupos em defesa da comunidade surda começaram a lutar pelo direito de maior inclusão para os surdos brasileiros. Em 1993, um projeto de Lei deu início a uma longa batalha de legalização e regulamentação em âmbito federal. Finalmente, em 2002, foi criada a Lei nº 10.436 de 24 de abril, que reconhece a LIBRAS, como uma língua. 

A LIBRAS, assim como as línguas faladas oralmente, é aprendida de forma natural pelos surdos, caso eles tenham contato com ela desde cedo. Também é comum encontrar sinais diferentes para a mesma palavra, dependendo da região que cada um vive. Cada país tem a sua própria língua de sinais, ou às vezes mais de uma, quando uma pessoa surda quer viajar, o ideal é saber o básico da língua de sinais do local. 

Também existe a Língua Gestual Internacional ou Gestuno, que é uma linguagem auxiliar internacional, muitas vezes usada pelos surdos em conferências internacionais, ou informalmente quando viajam. Embora, não seja considerada uma língua, já que não possui uma gramática e seja empregada para usos específicos. 

Nós, do Grupo Steno, deixamos aqui nossa admiração pelas conquistas da comunidade surda ao longo dos anos. Contem conosco para terem cada vez mais acessibilidade e inclusão.